A vida sexual dos animais, em tempos de quarentena.


Somente os humanos estão de quarentena. Enquanto nos reservamos à nossa insignificância, desorientados pela profusão de informação e desinformação, nos resguardamos do pior, como se o pior já não esteja sobre as nossas cabeças sem prazo de validade.


Enquanto metade das populações dos países mais afetados pela pandemia e paranóia (contra e a favor disso e daquilo) não quer aderir aos cuidados máximos que evitam a proliferação e transmissão desse ataque viral (biológico, bioquímico, psicológico, psico-social, econòmico e comercial) os animais irracionais continuam a vida deles provavelmente surpresos por não sentirem a presença de humanos como até o longíquo novembro de 2019... Até que chega a primavera e leio um artigo interessante pescado no El País reproduzido/traduzido parcialmente aqui:


Da poligamia das aves, o adultério das lulas e outras estratégias sexuais dos animais na primavera.

AGATHE CORTES

06 ABR 2020


A primavera é o momento em que a vida sexual de muitos animais acorda e as estratégias começam. "Os monarcas machos pulverizam as fêmeas com pó afrodisíaco e as arrastam para o chão", escreve David Barrie em suas viagens mais incríveis (Critique, 2020).

Este pó é o conjunto de feromônios químicos que as borboletas usam para se diferenciar. É uma técnica necessária para ser notada no meio de uma floresta muito densa a centenas de metros de distância, explica Zackary Graham, pesquisador da Escola de Ciências da Vida da Universidade Estadual do Arizona (Estados Unidos) e especialista em insetos e caranguejos de rio.

No mundo animal, há um esforço permanente para que o esperma chegue ao óvulo da fêmea.

ELISA P. BADÁS, DA UNIVERSIDADE DE GRONINGEN (HOLANDA)

Outras espécies dependem do dimorfismo sexual, ou seja, diferenças físicas baseadas no sexo, para atrair seus parceiros sem ter que recorrer a pós afrodisíacos. Os machos aproveitam sua aparência para atrair a atenção das fêmeas, como o peru com suas grandes penas, os tritões com suas cores e brasões ou os alces com seus chifres. Em várias ocasiões, o espécime maior e mais forte é aquele que seduz a fêmea porque lhe garante uma melhor prole.


Algumas fêmeas, dependendo da espécie, têm vários locais onde o macho pode depositar seu esperma: perto da saída do oviduto e perto da boca, através do receptáculo seminal da membrana oral. Essa curiosa morfologia permite que eles tenham ovos de diferentes machos. As lulas contam com os machos mais desonestos, e são as que tiram vantagem dessa característica curiosa. Esses espécimes são do mesmo tamanho da fêmea e emitem uma cor semelhante a ela; portanto, o macho dominante, que fica de guarda, não os vê como uma ameaça. No entanto, esses pequenos animais se aproximam da fêmea e inoculam seus espermatozóides na zona de reprodução oral, graças a uma cópula "cara a cara", diz Fernández-Álvarez. Tudo isso, sem o consorte perceber.

Deixo a minha experiência intelectual a respeito. Quando era criança, ajudava minha avó a verificar se as galinhas lá de casa estavam chocas. É uma operação, digamos, interessante. Utiliza-se o dedo anular naquele lugar onde dói muito quando a galinha põe um ovo e grita, grita, grita! Mas eu gostava mais era de riscar com carvão o ovo indez, que marcava o ninho onde os ovos chocos seriam chocados. Outra experiência sexual animal "irada", "sinistra", era testemunhar com meus olhinhos de pré adolescente os porcos. Lá em casa sempre havia dois no chiqueiro que eu lavava. Ao final do ano eram carneados, e os desdobramentos só me trazem belas lembranças. Mas era uma diversão, digamos, fedorenta, a de lavar o chiqueiro. Voltando ao sexo, a porca, como se sabe, pode dar a luz a aproximadamente 10 milhões de porcos ao longo de sua vida. Foi daí, uma das teses, que surgiu a idéia de “cofrinho em forma de porquinho”. Há uma tese de que um artesão da Inglaterra que fazia cofres de barro e… a história é longa. Assim como a tese de que a idéia de cofre com o formato de porco surgiu na China. Se você ainda estava curioso pela vida sexual dos animais, continue.


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Luís Peazê é escritor, jornalista e tradutor de Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway

Também constrói barcos de madeira, o Dinghy Peazê, faz várias outras coisas também, para sobreviver.








©1997/2020 by Luis Peazê

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